domingo, 30 de setembro de 2012

Desgaste Natural

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Sou os ossos desgastados
e meu coração opaco é espasmo
os olhos olham sem foco
e reparam os zunidos ultrassônicos.

A árvore é a madeira desgastada
e seu passos inertes e imóveis
contentam seu peito oco
e seus cabelos são flores de ipê.

O pássaro é o sobrevoar desgastado
e seus gorjeios canoros repicam
e suas cores salpicam os céus
enquanto voa em vácuos intermitentes.

Sou ossos osteoporóticos
e pulmões asmáticos e cansados
mas os olhos vagueiam as estrelas
e os cometas são os rastros de banimento.

É tudo uma velha carcaça em decomposição
pais e filhos e árvores e os rios continuam
da seiva da terra o ósculo do magma
e as pedras derretidas continuam continentes.

É um planeta vivo-morto querendo um abraço
querendo uma poesia de restituição
os cerrados desejam o retorno do lobo guará
e meus jardins sequestraram as borboletas.

Enquanto isso eu deterioro um pouco mais a cada respirar,
enquanto isso eu morro essa vida eterna lentamente
e vejo meu ser se desfazer em pó da terra
e vejo o mundo girando nessa incompreensão pueril...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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