terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Morte de um Dia sem Final

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Agora que o dia padece na noite
eu sinto medo, e sinto o tremor das cordas
de uma garganta áspera, cansada e poética
cochichando aos lobos órfãos e à lua pálida.

Agora que beijo a estrela, luz primeva crepuscular
onde se esconde o vulto temeroso de um curiango
que trina aos sonhos meus, e aos sonhos do mundo
que ainda não adormeceu nesse purgatório de emoções.

Agora que a noite é alta os clarinetes calam
e a orquestra passa pela praça dos assombros,
surdos-bumbos marcam passos na enxurrada
e os transeuntes cálidos correm nas suas rotinas.

Agora, somente agora quero pulsar meu ser
e como uma supernova expandir em explosões
parindo novas hipóteses e dilacerando prótons,
e elétrons, e nêutrons dentro de um ventre atômico.

Agora que o dia padece eu observo os ratos e os gatos
e me desfaço em uma brisa atemporal inexistente,
desoriento todas as birutas nos campos de marte
e alço voo guiado pelo magnetismo do seu amor.

Agora que o dia padece e o sol nu adormece
eu deito em minha alcova e conto os trincos pelas paredes
esperando um uivo ou um momento de vazio intenso
onde posso me encontrar a sós com meus anseios.

Enquanto uma coruja muito suspeita e curiosa
 fica a me espiar pelas frestas da veneziana ocre e enferrujada...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: NASA

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