quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pena de Dois Gumes

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Há um tédio afiado
cortando a noite fria.
Eu entrecortando o vento
e as folhas escorrem com o inverno.

Ruas e assovios entre piados,
corujas alimentam essa imagética
entre as luzes abafadas curiangos
hipnotizados pela torre do sino.

E no limiar de um festim mágico
sou corroído pelas doze badaladas,
e o feitiço se desfaz mais uma vez
então mergulho em um casulo.

E dão-se todas as sete metamorfoses
minhas asas agora têm hieróglifos de Thot
e minhas penas têm dois gumes afiados,
espero somente o entardecer das minhas novas cores.

Há um tédio afiado
entrecortado por paciências eternas
que riscam céus e firmamentos de giz.
Onde estarão minhas cores terminais?

Eu preciso voar novamente.
Eu preciso adormecer em auroras boreais
e em oceanos congelados ressurgir
para ir ao sol fundir-me à cor primordial.

Então renascerá a aquarela de Poimandres
e todos os véus iluminar-se-ão de uma noite de estrelas
onde incessantemente são moldados em barro cósmico
a vontade incontestável do Incompreensível artesão da vida.


Jonas Rogerio Sanches

2 comentários:

  1. Jonas, gostei muito do que e vi neste bem cuidado espaço, que já estou seguindo.
    Abraço.
    Gilson.

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    Respostas
    1. Muito obrigado pela visita e por seguir Gilson.
      Grande abraço!!

      Excluir

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