domingo, 3 de junho de 2012

Nuances da Morte

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Morrendo aos poucos,
aos outros,
aos gemidos escarnecidos;
afogado em fuligem de um crematório.

Morrendo todos os sonhos,
os reais e os irreais,
o agonizante último respirar;
colhendo as cinzas de um cão atropelado.

Morrendo as flores,
as camélias gritam;
e as mulheres choram,
as mortes das guerras;
a morte das eras;
o derrocado imo meu,
e os filhos não nascidos.

Morrendo aos poucos,
eu e os outros,
o pássaro velho e tardio,
na torre abandonada do mundo;
nas réplicas de uma borboleta,
ou apenas em um sono profundo;
onde o acordar amplia os sentidos.

Morre o tempo, e as estrelas, e os velhos, e os novos;
morre a esperança junto aos corpos espalhados nos campos de batalha,
e o que resta são, histórias... Versificadas ou em prosa.

E o poeta nunca adormece, vigia os cadafalsos e os recônditos sombrios,
pluralizando os mundos e as nuances mortificantes de viver...


Jonas Rogerio Sanches
Imagem: Google

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