quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Limbo dos Deuses

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Em labirintos de minotauros desfalecidos
Eu jogo damas com o rei de um baralho
E furto as rédeas de um cavalo alvoroçado
Para gritar em vento ao rosto a aventura

Em montes híbridos de plantas comestíveis
Eu me disfarço em terremoto e compro remos
Que levarei como presente até Caronte
Para passear em sua barca no rio da morte

E reconheço à porta o cão de três cabeças
Cérbero em brasas rosnando pelo seu osso
Encantos fúnebres e cantos para Hades
Que solitário é o guardião do calabouço

Mitologias distorcidas pelos tempos
O grande Zéfiro abandonou os ventos
E a Medusa que pavorosa pela beleza
Petrificou-se no espelho da natureza

São tantas arcas de Noé que hoje navegam
Levando estórias em continentes esquecidos
E na cratera do vulcão... Porta do Tártaro
Cronos e os tempos tão cruéis são derretidos

Eu vejo tudo bebericando junto a Baco
Em salões nobres fantasiados aqui no Olimpo
Olhando os Deuses se vestindo de farrapos
Virando escravos de seus medos nesse limbo


Jonas Rogério Sanches
Imagem: Google

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